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OS BASTIDORES DA NEGOCIAÇÃO QUE PRIMEIRO PROIBIU E DEPOIS PERMITIU A VOLTA DOS TREINOS DE GRÊMIO E INTER

A noite de domingo começou com comunicado conjunto de Internacional e Grêmio, de cancelamento dos treinos de segunda-feira de manhã. O texto dizia que haveria reunião de rotina para ajustar o planejamento para os próximos dias. Ocorre que no início da madrugada, o governador Eduardo Leite disse que seu decreto da última sexta-feira permitia treinos individuais nos centros de treinamento de associações esportivas situadas em cidades catalogadas com bandeira laranja.

Os treinos voltam hoje à tarde. Mas houve uma longa negociação e apresentação dos resultados com sucesso na semana passada para que houvesse a permissão estadual.

O Rio Grande do Sul está dividido em cores, de acordo com o grau de risco do vírus. O estado tem 11 milhões de habitantes e 100 mortes. Porto Alegre tem 1,4 milhão de habitantes e 17 mortes. É difícil entender por que, até este momento, o Rio Grande não é atingido como São Paulo e Rio de Janeiro e há estudos que indicam que isto ainda pode acontecer no inverno. Por outro lado, há quem aponte para a densidade demográfica com um motivo possível para haver maior tranquilidade neste momento. Porto Alegre tem 3 habitantes por quilômetro quadrado. São Paulo tem 8.

O governador Eduardo Leite já deu entrevistas e disse que houve apenas confusão de interpretação sobre seu decreto de sexta-feira e que as cidades catalogadas em laranja sempre tiveram autorização para treinamentos individuais. Mas houve um longo trabalho no domingo para ter esta certeza e aprovação. Os presidentes Marcelo Medeiros, do Internacional, e Romildo Bolzan, do Grêmio, conversaram com o prefeito Nelson Marchezan Junior e questionaram se ele mudaria seu decreto em função do decreto do governador.

O prefeito informou que sua permissão continuava valendo. Então, as ações passaram ao governo do estado, porque o STF atribuiu às prefeituras a permissão ou proibição das atividades. Havia, portanto, conflito entre o decreto municipal e estadual e a recomendação do STF para que a decisão do prefeito fosse soberana. O trabalho foi longo e fez chegar ao governador todo o protocolo de treinamentos separados. Também o depoimento do médico Jorge Pagura, da comissão médica da CBF, que tratou do protocolo como modelo para o Brasil e para o mundo.

Outro ponto importante é o fato de que o único jogador testado positivo foi Diego Souza, que não conviveu com o grupo e contraiu a doença no Rio de Janeiro, não no Rio Grande do Sul.

Tudo isto convenceu o governador Eduardo Leite, embora ele diga que nada mudou e houve apenas um erro de interpretação. Importante dizer que não se fala ainda em jogos, apesar de haver um plano de saída da crise com jogos em três a cinco estádios para completar o Campeonato Gaúcho. Os treinos são o primeiro passo. O segundo pode acontecer apenas em julho, mas há a convicção de que, sem treinos, será impossível voltar rápido aos jogos quando houver autorização — nunca antes disto.

Se a doença continuar no nível em que está, o Rio Grande do Sul poderá ser a primeira porta de saída da crise.

Foto: Lucas Uebel/Grêmio

Fonte: https://globoesporte.globo.com/blogs/blog-do-pvc/post/2020/05/11/os-bastidores-da-negociacao-que-primeiro-proibiu-e-depois-permitiu-a-volta-dos-treinos-de-gremio-e-inter.ghtml

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