Você está aqui
Home > Saúde > O PREÇO DOS REMÉDIOS EM HOSPITAIS SUBIU 16% NA PANDEMIA

O PREÇO DOS REMÉDIOS EM HOSPITAIS SUBIU 16% NA PANDEMIA

A falta de insumos hospitalares — de máscaras e luvas médicas a medicamentos — foi um dos temas mais latentes durante os primeiros meses da pandemia da covid-19. Parte da falta foi amenizada no decorrer do tempo, mas, no segmento de medicamentos, muitos hospitais pelo Brasil ainda sofrem com a falta dos insumos e os preços mais altos do que o normal mesmo meses após o começo da pandemia.

Um novo índice elaborado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) em parceria com o marketplace de insumos médicos Bionexo lançado neste mês joga luz sobre uma das frentes que compõem a conta hospitalar: os preços dos remédios comprados por hospitais e a situação da oferta e demanda no Brasil.

Os dados mostram que o preço dos medicamentos hospitalares cresceu 16,44% entre março e julho, segundo o novo Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (ou IPM-H). É um aumento sem precedentes: antes disso, até 2015, quando há dados registrados, os maiores aumentos haviam sido de pouco menos de 5% em 2015, 2016 e 2018.

Se contabilizado o período desde o começo de 2020, o índice de preços de remédios cresceu 18,72%. A título de comparação, no mesmo período, o IGP-M (Índice Geral de Preços), da Fundação Getúlio Vargas, cresceu pouco mais de 9%, e o IPCA, do IBGE, subiu 2,31% — esses índices medem produtos mais gerais, de alimentos a bens de consumo, e mais voltados aos consumidores. O IPM-H, vale lembrar, não leva em conta os remédios oferecidos ao consumidor na farmácia, mas os comprados por hospitais.

Dois fatores explicam a alta maior dos remédios hospitalares: a alta do câmbio e a grande demanda pelos insumos durante a pandemia, diz Bruno Oliva, pesquisador da Fipe e um dos responsáveis pela elaboração do índice. “Os medicamentos cujos preços mais aumentaram estão diretamente ligados à covid-19, porque são os usados em pacientes nas UTIs”, diz Oliva. “Quando há um aumento de demanda tão rápido a tendência é que os preços aumentem. A desvalorização do real também impactou.”

A taxa de câmbio nominal do real frente ao dólar cresceu 28% até julho em 2020, mais ainda do que o preço dos remédios calculado pelo índice.

A alta nos preços de medicamentos hospitalares foi impulsionada sobretudo por três grupos de medicamentos. Primeiro, os de suporte ao aparelho cardiovascular (cujos preços subiram 93% entre março e julho), seguidos pelos remédios de sistema nervoso (66%) e de aparelho digestivo e metabolismo (50%).

Embora tais medicamentos pareçam não ter relação direta com a covid-19, Rafael Barbosa, presidente da Bionexo, afirma que muitos remédios dessas categorias são usados para tratar efeitos colaterais relacionados ao coronavírus.

“Pacientes com pré-existência de problemas cardiovasculares podem ter mais complicações com a covid-19. Um quadro inflamatório grave também pode gerar parada cardíaca”, diz Barbosa. “O omeprazol, por exemplo, é um remédio para quem tem gastrite. Mas o paciente que está em uma alta dose antibiótica começa também a ter complicação gástrica, e o remédio precisa então ser usado”, diz.

Ou seja, todo tipo de remédio que é usado em UTI para tratamentos críticos teve uma alta maior em virtude da pandemia.

Ainda assim, a alta geral dos preços é menor do que dos remédios associados às UTIs porque esses medicamentos impactam menos o índice geral de preços. Os que mais afetam o índice são os oncológicos, contra o câncer, que são comprados com frequência por hospitais e têm preços elevados – e esse grupo não teve relação direta com a pandemia.

Segundo Barbosa, houve duas ondas de escassez geradas pela covid-19. Primeiro foi a de EPIs no começo da pandemia — em que profissionais de saúde sofreram com a falta de máscaras, luvas e outros equipamentos de proteção individual. Mas o problema de medicamento começou sobretudo quando o Brasil entrou numa quantidade de UTIs usadas para pacientes em estado crítico, de mais de 90% de ocupação em alguns lugares.

“A falta de medicamentos se mostrou sobretudo quando a pandemia começou a ir além de São Paulo, para outros estados e cidades do interior. E aí a situação da demanda por medicamentos ficou mais crítica, principalmente na rede pública”, diz Barbosa. “Teve muito hospital que não tinha sedativo para usar na UTI.”

Fonte: Exame

Foto: Diego Vara/Reuters

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Top