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NOVO CONFLITO ENTRE INDÍGENAS E FAZENDEIROS GERA CLIMA DE TENSÃO EM CAARAPÓ

Uma fazenda que fica na Terra Indígena Dourados-Amambaipegua I, área indígena reconhecida pela Funai (Fundação Nacional do Índio), foi palco de conflito entre indígenas e fazendeiros na manhã do domingo (26), em Caarapó, a cerca de 280 km da Capital.

De acordo com o Cimi (Conselho Missionário Indigenista), o conflito, que foi marcado pela presença de forte aparato policial, teria sido motivado pelo desaparecimento de um indígena, fato atribuído por lideranças a forças policiais e milicianas.

Informações preliminares apontam que cerca de 100 indígenas da etnia Guarani Kaiowá teriam expulsado funcionários da sede da fazenda Santa Maria, que fica no complexo Dourados-Amambaipegua, e feito seis deles reféns, posteriormente libertados.

Todavia, as lideranças indígenas negam que tenham aprisionado funcionários durante o conflito. Em função disso, solicitaram presença de um representante da Funai de Dourados no local. A chefe de coordenação técnica da Funai em Caarapó encontra-se na retomada, mas a reportagem não conseguiu estabelecer contato com ela.

Por telefone, o Cimi destacou que acompanha o conflito na área de retomada e que busca levantar informações acerca do fato. “O que sabemos até o momento é que a presença da Funai foi solicitada após surgirem as afirmações de que os indígenas teriam sequestrado pessoas. Vamos aguardar até ter uma posição mais clara”, destacou um emissário do Cimi.

Foto: Ruy Sposati | Cimi

Terra de conflitos

Indígenas reunidos no local onde foi morto Clodiodi, logo após o massacre de Caarapó, em 2016. (Foto: Ruy Sposati | Cimi)

Com cerca de 56 mil hectares e pelo menos 5 mil indígenas de etnia Guarani Kaiowá em diversas aldeias, a Terra Indígena Dourados-Amambaipegua I é alvo de conflitos sangrentos, intensificados desde que a área passou a ser reconhecida como terra indígena tradicional e passou a integrar o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação, da Funai, em maio de 2016.

Desde então, indígenas passaram a pressionar pela demarcação e homologação das terras, onde também há várias fazendas. A partir de então, conflitos se intensificaram, o mais grave deles em junho de 2016, episódio conhecido como “Massacre de Caarapó”.

Na ocasião, o agente de saúde e indígena Guarani Kaiowá Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza foi assassinado – cerca de 40 caminhonetes, com o auxílio de três pás carregadeiras e mais de 100 pessoas, muitas delas, armadas, retiraram à força um grupo de aproximadamente 40 índios da propriedade ocupada, no caso, a fazenda Yvu.

Além do agente de saúde Clodiodi, outras oito pessoas ficaram feridas. Cinco fazendeiros da região, acusados de envolvimento no massacre, chegaram a ter prisão preventiva decretada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região e Superior Tribunal de Justiça (STJ). Após habeas corpus, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pelo retorno dos fazendeiros à cadeia, em setembro de 2017.

Todavia, o TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) concedeu, em novembro, novo habeas corpus aos fazendeiros investigados – isso após terem, em 2 de outubro de 2017, pedido de liberdade provisória negado.

Reintegração de posse

Em abril deste ano, a Funai confirmou ordem da Justiça Federal de Dourados para proceder com reintegração de posse de fazendas localizadas na retomada, onde há dois acampamentos indígenas. A informação causou comoção nas comunidades, que prometeram resistir, mas temiam conflitos violentos, aos moldes do que vitimou Clodiodi de Souza dois anos antes.

Em função disso, a Funai pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal), em regime de urgência, a suspensão da decisão liminar que permitia o despejo de dois acampamentos da etnia Guarani Kaiowá. A presidente do STF, ministra Carmen Lúcia, atendeu o pedido e suspendeu a reintegração.

Fonte: https://www.midiamax.com.br/cotidiano/2018/novo-conflito-entre-indigenas-e-fazendeiros-gera-clima-de-tensao-em-caarapo/

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