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CADA CENTAVO ECONOMIZADO NA SAÚDE IRÁ PARA ASSISTÊNCIA DA POPULAÇÃO, DIZ NOVO MINISTRO

Luiz Henrique Mandetta assumiu comando da pasta nesta quarta-feira. Segundo ele, ministério possui orçamento ‘muito grande’ e ‘é muito fácil esquecer que R$ 1 mil é muito dinheiro’.

O novo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), afirmou nesta quarta-feira (2), durante cerimônia de transmissão de cargo, que “cada centavo” economizado pela pasta ao longo de sua gestão irá para a assistência da população. Ele defendeu ainda a criação de um terceiro turno no atendimento das unidades de saúde e revisão da política de saúde para a população indígena.

Médico e ex-secretário de Saúde de Campo Grande, Mandetta estava no segundo mandato de deputado federal e não disputou as eleições deste ano. Ele tomou posse oficialmente como ministro em cerimônia realizada na terça-feira (1º), logo após o novo presidente da República assumir. Nesta quarta, o seu antecessor na pasta, Gilberto Occhi, transmitiu o cargo a ele.

Em seu discurso, o novo ministro declarou que sua gestão será pautada pela redução de gastos. “Cada centavo economizado por esse ministério tem que ir para objeto fim, que é a assistência. Não dá para gastar dinheiro sem saber”, afirmou.

Ele ponderou que a pasta possui um orçamento “muito grande” e que “é muito fácil esquecer que R$ 1 mil é muito dinheiro”. “É muito dinheiro”, ressaltou.

Saúde indígena

O ministro também disse que pretende revisar a questão da saúde indígena: “Estamos com indicadores de saúde muito aquém do minimamente do que é gasto com saúde indígena”.

Após a cerimônia, ao ser questionado pela imprensa novamente sobre o tema, criticou a falta de transparência na prestação de contas feitas por organizações não-governamentais (ONGs) que recebem recursos da União para o setor.

Disse que não há “nenhum preconceito com ONGs”, mas que é repassado um “volume alto” de recursos em contrapartida a uma “prestação fraca” de serviços. Um dos pontos que chamam a atenção, segundo ele, é o gasto elevado com transporte em regiões distantes, como a Amazônia, mas “com pouca capilaridade na fiscalização”.

Terceiro turno

Ainda no discurso, Mandetta anunciou que irá focar na saúde básica e que estuda a criação de um terceiro turno nas unidades de saúde, ampliando o horário de atendimento. Ele ponderou que muitas vezes os cidadãos saem muito cedo para trabalhar e retornam para casa quando a unidade já está fechada.

“Ou seja, a unidade básica de saúde para eles fica praticamente inalcançável. Então, temos experiência Brasil afora da construção do terceiro turno. Vamos ver se a gente consegue compactuar uma política que a gente possa dar um horário mais estendido”, afirmou.

Aos jornalistas, ele explicou que deverá ser escolhida uma unidade da federação, numa espécie de projeto-piloto, para dar início a essa reestruturação. “Vamos elencar uma unidade da federação, que ainda tem consenso, vamos ver onde possa ser mais apropriado, para […] a reestruturação da atenção básica”, disse.

Mandetta defendeu ainda a melhoria na gestão das informações do setor de saúde no país, especialmente com a informatização. “Quem não tem informação não pode gerir”, afirmou. Na avaliação do novo ministro, quando um gestor não tem dados precisos é como se fizesse um “voo no escuro”.

Ele acrescentou que também que deseja”um sistema privado forte” e “solidário”, mas “com menos queixas” e melhor prestação de serviço aos idosos. “Não há volta, mas há muito espaço para melhoria”, afirmou.

Hospitais federais no RJ

Entre as ações que considera prioritárias nos primeiros cem dias de governo, ele reiterou a necessidade de dar um “choque de gestão” nos hospitais federais do Rio de Janeiro, que conta com seis hospitais sob a alçada do governo federal. Essa proposta já havia sido anunciada por ele durante a fase do governo de transição.

Nesta quarta, ele ressaltou que esses hospitais estão passando por “problemas” e que falta transparência sobre os critérios usados na fila de atendimento.

Indagado sobre os relatos de milícias organizando filas de atendimento, disse que ainda está “recebendo essas informações” e que pretende se reunir na quinta-feira (3) com os secretários estadual e municipal do Rio de Janeiro para tratar do assunto.

Vacinação

O novo ministro também anunciou que o Ministério da Saúde vai focar na vacinação de populações da Região Norte, especialmente em razão dos registros de surtos de sarampo em Roraima, Amazonas e Pará com a migração de venezuelanos para o país.

Mais Médicos

Mandetta defendeu ainda uma revisão das regras do programa Mais Médicos, que, na avaliação dele, tem muitos pontos de “improviso”.

O novo ministro sempre foi crítico à presença dos médicos cubanos no Mais Médicos, que deixaram o programa após críticas de Bolsonaro.

Sobre a possibilidade de convocar médicos formados usando recursos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para substituir os cubanos – proposta sugerida no governo Temer, mas que não foi adiante –, disse que não “existe serviço civil obrigatório” no Brasil. “Nós vamos ter que trabalhar com políticas que induzem as pessoas a quererem trabalhar no nosso Sistema Único de Saúde”, afirmou.

Anvisa

Questionado se o novo governo manterá a indicação do deputado federal André Moura (PSC-SE) para comandar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Mandetta respondeu apenas que o governo “está comprometido com indicações técnicas”, na mesma linha do que vem dizendo Jair Bolsonaro. O novo presidente da República já sinalizou que deverá retirar a indicação.

O nome de Moura, que até então era líder do governo Temer no Congresso e não conseguiu se eleger senador, ainda precisaria do aval do Senado. A medida gerou repercussão negativa por ele não ter ligação com a área.

Diálogo com o Legislativo

Em um discurso de cerca de 40 minutos, Mandetta teceu elogios a Jair Bolsonaro e, afinado com o discurso do novo presidente, declarou que “não se chega a um cargo de tamanha responsabilidade, primeiro, sem ter compromisso muito grande com a família, a fé, o país e a noção de pátria”.

Contou sobre as origens da sua família, a sua formação e atuação profissional como médico e fez uma retrospectiva da sua gestão como secretário municipal de Campo Grande. Disse que, no cargo, teve que enfrentar desafios, como uma epidemia de dengue, e “tempos intensos de trabalho pelo SUS”.

Sobre os oito anos como deputado federal, afirmou que sempre apostou na “democracia e no diálogo” com a oposição e que pretende, quando convidado, “estar sempre muito presente na Câmara e no Senado”.

Entre as autoridades presentes à cerimônia estavam os ministros Osmar Terra (Cidadania), Tereza Cristina (Agricultura) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), além do novo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e parlamentares.

O então deputado federal e agora ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), durante reunião em comissão da Câmara — Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

O então deputado federal e agora ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), durante reunião em comissão da Câmara — Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

Perfil

Mandetta nasceu em Campo Grande, município que se tornou a capital do Mato Grosso do Sul, estado criado em 1977. Caçula em uma família com cinco filhos, o futuro ministro seguiu a profissão do pai, o médico Hélio Mandetta.

Ele cursou medicina na Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, formando-se em 1989. Fez residência em ortopedia na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e uma especialização na mesma área em Atlanta (EUA). Em seu estado, Mandetta foi dirigente de plano de saúde e secretário municipal da capital.

Filiado ao DEM, foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2010 e reeleito quatro anos depois. É o terceiro ministro filiado à legenda na equipe de Bolsonaro. Além dele, também pertencem ao partido os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Tereza Cristina (Agricultura).

Fonte: G1

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